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Começa hoje a 26a CASACOR Minas Gerais

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Começa hoje a 26a CASACOR Minas Gerais

A CASACOR Minas, o primeiro grande evento da capital mineira desde o início da pandemia, começa hoje, seguindo um rigoroso protocolo com o objetivo de garantir a segurança de todos os participantes e do público.

Começa nesta terça a 26ª edição da CASACOR Minas, considerado o maior evento do setor no estado. A seleção de profissionais deste ano inclui um vasto time formado por veteranos, além de jovens talentos da arquitetura, do design e também do paisagismo. Serão ao todo 47 ambientes, concebidos por 71 profissionais. O tema central desta edição é “A Casa Original”. A temática provoca uma série de reflexões, sobretudo pelo evidente desejo de retorno às origens, buscando na ancestralidade e na simplicidade o equilíbrio necessário entre o passado e o futuro. A inspiração para o conceito surgiu antes mesmo da pandemia, que trouxe como principal consequência, a ressignificação da nossa relação com a casa, inaugurando uma série de novas reflexões sobre o morar contemporâneo.

Entre os arquitetos e designers de interiores que participam desta edição estão veteranos como Lena PinheiroPatrícia HermannyCristina MenezesFlávio Bahia, Lena Pinheiro e Norah Fernandes, além de profissionais de destaque no mercado como Alexandre RoussetÂngelo Coelho, Ângelo Coelho Filho e Cristina MorethsonJúnior Piacesi, Sérgio Vianna, Juliana Vasconcellos, Rosângela Brandão Mesquita, Janaina Pacheco, Patrícia Abreu, Roger Lages, José Lourenço, Linda Martins, Andrea Pinto Coelho, Casa Tereze, Daniel Tavares, Igor Zanon, Bárbara Nobre, além de uma intervenção do designer Gustavo Greco e da fotógrafa Leca Novo. Somam-se à lista, um time de estreantes na mostra como Duo Arquitetos, Cynthia Vianna, Liga Arquitetura, João Daniel SilvaEvandro Melato, Ivia Maia, Rafael Mineiro, entre outros, ampliando também de forma expressiva a participação de profissionais do interior do estado.

Outro ponto interessante é que esta é uma das edições com grande destaque ao paisagismo uma vez que a maior parte dos ambientes estará concentrada nas áreas abertas do Palácio das Mangabeiras. Serão seis ao todo: Droysen Tomich, Felipe Fontes, Katiene Rodrigues, Nãna Guimarães, Rafael Mineiro e Valter Braga. Todos revelando soluções, ampliando o desejo de um maior contato com a natureza e, naturalmente, reverenciando o grande mestre Roberto Burle Marx, autor dos jardins originais do Palácio das Mangabeiras, pela segunda edição, palco da CASACOR Minas.

O público irá se surpreender com os projetos e soluções apresentadas nesta edição. Entre os destaques estão uma série de projetos que foram inteiramente construídos especialmente para o evento, utilizando métodos construtivos inovadores, reduzindo significativamente os impactos ambientais. A CMC, indústria do grupo mineiro Lafaete, forneceu 25 módulos, cada um com 12 metros quadrados e pé direito de três metros, uma tecnologia que se assemelha na forma, mas que é bastante diferente dos contêineres marítimos, uma vez  que sã construídos de forma industrial e exclusivamente para a construção de habitações, assumindo diversas medidas, o que possibilita mais opções aos projetos.

Além de sintonizados com a sustentabilidade, os ambientes permitem mais segurança aos visitantes, por serem edificações ao ar livre. A tudo isso, soma-se o novo formato: quem visitou a edição de 2019, também no Palácio das Mangabeiras irá se surpreender. O lugar é o mesmo, mas tudo mudou. A partir da entrada, a sensação é de estar em um outro endereço. Leveza, alto astral, paisagismo exuberante e projetos incríveis de ambientes para serem vivenciados do lado de fora e deliciados do lado de dentro. Dentro do Palácio das Mangabeiras, novos impactos esperam o visitante.

A partir da entrada, que conta com Pavilhão assinado por Andrea Pinto Coelho, a sensação é de estar em um outro endereço. Leveza, alto astral, paisagismo exuberante criando cenários bucólicos como o espaço Horto Laguna, assinado por Rafael Mineiro e Natália Azevedo, um pequeno oásis que inclui um lago, que na verdade é uma piscina natural, cercada de plantas. Outro destaque é a intervenção Siré (Xirê) assinada pelo designer Gustavo Greco reunindo diversos cobogós em mogno africano, exibindo dentro de um pequeno labirinto, símbolos que representam os orixás. A partir daí o público poderá encontrar uma série de ambientes incríveis, projetados para serem vivenciados do lado de fora e deliciados do lado de dentro.

É o caso do espaço projetado por Júnior Piacesi, que se chama Casa da Serra, todo em estrutura metálica encapada por breezes, com rasgos de luz no teto, revestido em madeira, da Duratex. Nele, a proporção interna se equivale à do deck externo, ambos com 150m2 cada. No ambiente projetado por Sérgio Vianna, batizado de Gourmet dos Sentidos Deca, recursos tecnológicos e integração com a natureza funcionam em total sintonia. Na parte interna, a ilha é o ponto central, para preparo de receitas culinárias e, do lado de fora, um deck suspenso propõe uma cena mais rústica integrada à natureza, além de total integração com a natureza surpresas para encantar o visitante. A dupla Evandro Melato e Pabrício Amaral escolheram prestar uma homenagem ao minerador, geólogo, empresário e grande incentivador da cultura e da arte, Osmar Puperi, fundador da Quartzito do Brasil.

Na Casa Voktum, a arquiteta Barbara Nobre utiliza a transparência do vidro, tanto no teto como nas paredes externas, com a proposta de que o morador possa ver o céu e os jardins sem ter que sair do conforto de ambientes integrados e fluidos. Bárbara Fonseca e Lucas Belisário, da Liga Arquitetura apresentam o que há de mais moderno para uma casa de montagem rápida, com a Cabana Soluções Usiminas, inspirada no design escandinavo, que pode ser implantada em qualquer tipo de terreno e feita para durar uma vida inteira. No quesito arte, a Galeria Bel Lar surpreende o visitante tanto com o projeto de Patricia Hermanny, quanto com a brilhante curadoria de trabalhos do artista homenageado, Israel Kislansky.

Dentro do Palácio das Mangabeiras, novos impactos esperam o visitante. Destaque para o Gabinete, que tem projeto de Lena Pinheiro, para a Sala de Estar JKassinada por Juliana Vasconcellos em parceria com a Studio 31, passando pela Sala de Jantarde Flávio Bahia e Letícia Rennó, culminando com a Sala de Estar de Norah Fernandes e João Uchoa, recheada de peças modernistas garimpadas em antiquário. Completando a cena no interior do Palácio, os quartos chamam bastante atenção como a Suite Master da Maraú Design, o Quarto da Jovem Empreendedora, de Aline Castro e Natália Leite e o Quarto dos Filhosda Situar Arquitetura. O cinema do Palácio, que está passando por um processo de restauro, foi transformado no Living Prima Linea, um espaço intimista do trio Ângelo Coelho, Ângelo Coelho Filho e Cristina Morethson. E a Galeria Abreu, de Patrícia Abreu, que também assina a Sala de Imprensa, é um espaço de apreciação artística, com destaque para os trabalhos de Christus Nóbrega.

Preservação e Memória

Em 2021, a CASACOR Minas continua investindo na preservação da memória, resgatando aspectos históricos da edificação. Nesta edição, apresentamos mais uma parte do projeto de recuperação e implementação dos jardins originais de Burle Marx, um trabalho desenvolvido pela paisagista Nãna Guimarães. E outra novidade é que a fonte criada por Burle Marx em uma das áreas externas laterais da construção foi inteiramente recuperada. Em dois níveis de pedra, ela tem como base um espelho d’água com espécies aquáticas e está em meio a um rico jardim que envolve tons de roxo e de verde, entre dracenas, marantas, asparagos, jiboias, peperoneas, columeias, samambaias e variedade de espécies que o preenche. Alguidares dentro e fora da água criam composição que os apresentam vazios e com plantas. Outra novidade para esta edição é que a CASACOR Minas, em parceria com a Codemge e a equipe da Novus 3D, desenvolveram um passeio virtual pelo Palácio das Mangabeiras mostrando como ele era na época de sua inauguração, em 1955. A visita foi desenvolvida a partir de um extenso levantamento histórico, resgatando imagens e dados do projeto original e será disponibilizada em breve aos visitantes.

Gastronomia

A gastronomia sempre foi um dos pontos de destaque da CASACOR Minas, refletindo de forma muito fiel a relação que os mineiros possuem com a cozinha. Por conta disso, a mostra já foi palco de vários lançamentos, ativação de marcas e experimentação na área, reunindo a cada edição um público ávido por novidades. E nesta edição, mesmo neste contexto atípico que estamos enfrentando, não será diferente. A CASACOR Minas vem ampliando cada vez mais sua conexão com a cultura gastronômica, fomentando o setor, colocando-se na vanguarda das tendências.

Focada em oferecer experiências cada vez mais inovadoras e marcantes para o público, a mostra está repleta de novidades. Quem assume a curadoria e concepção gastronômica desta edição é o premiado chef italiano Massimo Bataglini, que juntamente com Henrique Benerick, da Benericks, está a frente do Outland, um bar e restaurante a céu aberto, que alia boa gastronomia, uma extensa carta de coquetéis e, claro, um bom design. Levando essa proposta para dentro da CASACOR, o Outland comandará o restaurante, um café e os bares desta edição. O restaurante “Outland Al Mare” terá projeto arquitetônico assinado pela equipe do escritório Casa Tereze, oferecendo um menu exclusivo e o conceito foi todo inspirado no mar Adriático. Entre as apostas do chef estão o Rosbife de atum com mel de figo e amêndoas, melão, melancia e pepino e a Bruschetta com carpaccio de bacalhau cru.

A inspiração para o bar Benericks, no entorno da piscina, com projeto de Daniel Tavares e Cynthia Vianna, veio dos bares venezianos, e por este motivo, o Negroni será o tema principal e e o vermelho predomina. O cardápio contará com uma extensa carta de drinks e antepastos que fazem parte dos aperitivos italianos.

café Panini e Jardim, assinado pela equipe da Duo Arquitetos, que faz sua estreia na mostra, em parceria com o paisagista Droysen Tomich, também funcionará sob comandando do chef Massimo Bataglini, que preparou um cardápio dedicado à criações que utilizam o pão como base principal.

A CASACOR Minas ainda conta com uma Cozinha Funcional, com projeto assinado por Ivia Maia e Mirlene Sales, que receberá uma programação com pequenos eventos gastronômicos, direcionados para grupos fechados.

Segurança

Buscando oferecer um ambiente seguro para a visitação, a CASACOR Minas investiu em uma série de ações e de aparatos tecnológicos voltados para garantir a segurança de todos os presentes. A primeira delas será que as visitas deverão ser realizadas com hora marcada. O visitante terá a opção de escolher a faixa de horário pretendida durante o momento da compra do ingresso. Além do controle preciso de visitantes dentro da mostra e a visita agendada por horário, haverá ainda a higienização frequente de todos os espaços de circulação, dispensers de álcool gel em todos os ambientes e uma das principais mudanças está no processo de entrada na mostra, que será alterada para um modelo inovador e tecnológico.

O evento contará com catracas inteligentes, em que a pessoa poderá entrar por meio de reconhecimento facial ou ao apresentar um QR Code gerado durante a compra do ingresso pela internet. Durante a compra online, o visitante deverá marcar um horário para visitar a mostra. Assim, o sistema só liberará a entrada dentro da faixa especificada no ato da compra.

Desenvolvida pela empresa ZK Teco, e comercializado pela Templuz, essa nova tecnologia de entrada é projetada para atuar em diferentes tipos de cenários, sendo compatível com a mais recente tecnologia de visão computacional. Além disso, as catracas estão preparadas para um volume de tráfego elevado e evitam qualquer tipo de contato físico e a formação de filas na bilheteria. Outro ponto importante é que a mostra investiu bastante em acessibilidade, proporcionando que cadeirantes possam possam explorar todos os ambientes.

A 26ª CASACOR Minas começa no dia 14 de setembro e segue até  17 de outubro, no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte. As visitas deverão ser agendadas em horário fixo, visando controle de acesso do público. A maior parte dos ambientes estará concentrada nas áreas externas, uma área ao ar livre com mais de 12 mil metros quadrados, possibilitando a visitação de forma segura, além de garantir a realização de um rigoroso protocolo. Uma nova tecnologia permitira que visitantes tenham acesso à mostra sem nenhum tipo de contato com outra pessoa, acessando o evento através de uma catraca eletrônica que capaz de fazer o reconhecimento facial cadastrado na internet no ato da compra do ingresso.

Sobre a CASACOR Minas

A CASACOR é reconhecida como a maior e melhor mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas e reúne, anualmente, renomados profissionais. Em 2021 chega à sua 26a edição em Minas Gerais e com mais de 20 eventos nacionais (Alagoas, Bahia, Brasília, Campinas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Interior de SP, Litoral de SP, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina) e seis internacionais (Miami, Peru, Chile, Equador, Bolívia e Paraguai).

SITE: www.casacor.com

FACEBOOK: www.facebook.com/casacorminas

INSTAGRAM: @casacorminas

 

Serviço

CASACOR Minas Gerais

Onde: Palácio das Mangabeiras -Praça Ephigênio de Salles, 01, Mangabeiras, Belo Horizonte – MG

Quando: de 14 de setembro a 17 de novembro de 2021

Horário de funcionamento:

Terça a Sexta – 14h às 22h

Sábado – 12h às 22h

Domingo – 11h às 20h

Ingressos pelo site: https://casacormg.byinti.com/#/

Informações: https://casacor.abril.com.br/

Descritivos ambientes CASACOR Minas 2021  

Pavilhão de entrada e loja Mels Brushes – Andrea Pinto Coelho

A chegada já é uma experiência: antes de fazer o check in, uma circulação com mobiliário em corda náutica recebe quem entra e quem sai da mostra. A recepção se materializa com tudo que se espera para transitar em total segurança a partir dali. Utilizando dois contêineres, ela é clarinha e leve, com aspecto asséptico. Tem balcão em porcelanato com vidro de proteção centralizado e, internamente, foi revestida em freijó, com fundo ripado.

Loja Mels Brushes

Situada na mesma margem do check in, a loja repete a mesma linguagem de materiais, com predominância de tons claros e a presença da madeira. O balcão, no centro do espaço, permite dividí-lo em cenas iguais de ambos os lados. Além de prateleiras em madeira, e da humanização conferida pelas mesas do século 19 garimpadas em um antiquário, duas enormes telas em azul forte estabelecem a personalidade do espaço. Do lado de fora, o deck cria espaços para descanso e contemplação.

Horto Laguna – Rafael Mineiro e Natália Azevedo

O espaço externo projetado pelos arquitetos e paisagistas Rafael Mineiro e Natália Azevedo é um pequeno oásis, trazendo uma diversidade de plantas tropicais em torno de um lago natural, que se propõe como um novo conceito de piscina. Água no tom de Caribe, areia com jeito de praia, formas sinuosas como na natureza. Com leds submersos nas águas, em meio a palmeiras, filodendros, ciclantos, marantas e plantas aquáticas ganham uma iluminação difusa e a companhia de peixes ornamentais. Decks com poltronas e espreguiçadeiras integram o cenário que transforma um sonho em realidade. Um convite a repensar o espaço de lazer e contemplação com um novo jeito de morar, além de evidenciar a necessidade do contato constante com a natureza.

Siré (Xirê) – Gustavo Greco

O espaço assinado por Gustavo Greco logo na entrada da CASACOR Minas serve como uma espécie de introdução, preparando o visitante às construções assinadas por arquitetos e designers que virão a seguir. É um percurso singular, imagético e que permite experiências particulares a cada uma das pessoas que passam por ele. Simples, sem interferência de cor, a madeira está no piso e nos cobogós que o ladeiam. Imbuídos pelo tema “A Casa Original”, eles representam o desafio de retomar os laços ancestrais, essenciais à identidade. O percurso permite uma reflexão, ao mesmo tempo em que resgata elementos milenares, que contam história e expressam sentimentos. Feitos em mogno africano, os cobogós exibem símbolos que representam os orixás. Essas divindades trazidas ao Brasil por ancestrais vindos da África, são cultuadas nas religiões de matriz africana e representam as energias da natureza. O espaço fala de caminho, das entradas e saídas, de contemplação e das origens enfatizadas na própria escolha do mogno, que carrega a África em seu nome. Foi batizado de Siré (Xirê), palavra em iorubá que significa roda, ou dança utilizada para evocação dos Orixás, conforme cada nação

Suite Lite – Igor Zanon

Com ares da pousada perfeita e cara de cabana contemporânea, o ambiente do quarto é leve e caloroso ao mesmo tempo, com o uso do painel em MDF em jequitibá rosa, na cama e nas paredes, e a sutileza do breeze quadriculado, de alumínio pintado na cor branca. Usa tons terrosos que remetem a casa de vó no interior, a pedra, a madeira e o início do caminho de uma mineiridade que se assume universal. Ela está na poltrona Pachá, assinada por Pietro Oliveira e na cama, desenho do arquiteto, onde a cabeceira lembra um abraço. E como arte é fundamental, ela traz o requinte instigante de obras de Abraham Palatinik e de Christus Nóbrega. O cuidado artesanal passeia pelo banco em tear de Inês Schertel e outros detalhes de texturas e tramas e a lareira suspensa é a única interferência no teto, limpo. O mini-closet ao fundo é uma adaptação de uma estante vasada, para não fechar a paisagem externa. Seguindo a mesma leveza, o banheiro é um ato contínuo de relaxamento e renovação das energias, em paleta bem clarinha e aberto para a mata em volta. Na parte externa, a opção foi por uma solução mais resistente que o concreto, feito com rejeitos de ferro, na cor areia e acabamento levigado. A churrasqueira tem desenho de Ricardo Rangel e o espaço ainda conta com uma lareira de chão. A conversação entre o mobiliário se dá pelo tecido que remete ao linho, próprio para áreas externas, que está na cadeira e na enorme chaise. Tudo leve, harmonioso. Um perfeito convite ao relax e às boas energias.

Gourmet dos Sentidos Deca – Sérgio Vianna

Utilizando quatro módulos de contêiner, tanto a construção, como o acabamento e a marcenaria foram explorados como peças de lego que se encaixam, pensados para uma construção rápida, com menos desperdício e que se adapta a qualquer ambiente ou terreno. O padrão da madeira está presente no piso parquet em porcelanato, da Portinari e também no teto ripado, da Duratex. Na cozinha, peças da Deca parecem dizer que o futuro é agora, como a torneira embutida que surge apenas com um toque e facilita para que a cuba se destine a vários usos e a coifa, que, da mesma maneira, também pode sumir da cena num piscar de olhos. Na parte interna, a ilha é o ponto central, palco para a preparação das receitas culinárias e também onde os convivas não só assistem ao espetáculo gastronômico, mas se deliciam, sentados à mesa que sai do centro desse elemento, criando total integração entre todas as ações.  Há detalhes de charme e soluções extremamente criativas, como as cadeiras verde musgo, de design italiano, e a banqueta desenhada especialmente para o espaço, assinada por Zanine de Zanini, de pés metálicos e releitura contemporânea do assento em palhinha e madeira. O inusitado fica por conta da estante que abriga a TV e caixas de som: 17 cubas da Deca foram transformadas em nichos que lembram um cobogó gigante. Do lado de fora, grande um deck de madeira, suspenso, propõe uma cena integrada à natureza.

Bangalô Bateia Osmar Puperi – Evandro Melato e Pabrício Amaral

A experiência arquitetônica deste bangalô se dá pela total integração com o exterior. Rodeado por panos de vidro, o ambiente é inundado pela luz natural, interagindo em todos os ângulos com os jardins à sua volta. O volume ortogonal faz um interessante contraponto às linhas orgânicas do espelho d’água que margeia o ambiente. O acesso principal acontece pelo deck, área ao ar livre que antecede o living intimista. Nos espaços, a proposta é homenagear o minerador, geólogo, empresário e grande incentivador da cultura e da arte, Osmar Puperi. Sua história é contata ao longo do percurso do ambiente, através de objetos de sua propriedade, exibidos como obras de arte em uma estante que transpõe o ambiente e acentua o layout fluido. A presença da pedra sabão, da madeira e do couro dão o toque atemporal, junto a peças de design, como o mobiliário assinado por Zanine de Zanini próximo à lareira, no lounge/ jardim. Após uma imersão nas histórias das minas e do garimpo, contadas pelas peças garimpadas pelo Sr. Osmar ao longo de sua vida, a sala de banho com vista para a Serra do Curral é um convite à contemplação. Destaque do ambiente, a banheira batizada de Bateia, esculpida em pedra sabão emerge do chão, propondo uma verdadeira desconexão com a vida urbana.

Estúdio Lapinha -– Ada Penna, Júlia Temponi, Gabriela Melo e Mariana Calixto –  Plano Livre

A proposta é uma construção que será posteriormente desmontada e novamente remontada na Lapinha da Serra, refúgio paradisíaco, na Serra do Cipó.  Como não foi projetada como construção temporária, essa diretriz influenciou desde o início do desenvolvimento, até a escolha dos revestimentos, para evitar que eles trinquem ou danifiquem nesse translado. O raciocínio construtivo serviu para entender toda as particularidades da montagem, ao passo que, o raciocínio desconstrutivo permitiu garantir que os componentes possam ser desmontados. Um exemplo é o piso vinílico clicado, que pode ser destacado e reassentado. A mesma lógica serve para os ladrilhos utilizados. Apesar de ser um protótipo e também um espaço que vai cumprir uma função, o Estúdio Lapinha apresenta a ideia de sistema, que pode gerar outros espaços. Pensada como refúgio para finais de semana, a construção utiliza a estrutura modular de dois contêineres, sem camuflar os componentes construtivos industrializados e sim valorizando-os. A boa qualidade espacial é garantida pela iluminação e ventilação naturais. Um dos módulos concentra as áreas molhadas, banheiro e cozinha, racionalizando a infraestrutura em uma única parede, O outro, foi pensado para ser livremente apropriado, com cama de casal, sofá que pode virar cama para uma criança e TV.  O projeto, além da flexibilidade espacial, oferece a possibilidade de crescimento, a partir do acoplamento dos módulos. No protótipo, a área externa ganhou uma charmosa rede horizontal, convidando o visitante a contemplar o entorno.

Casa da Serra – Júnior Piacesi

Esse projeto parte do conceito de uma casa modo-lar, pensada assim mesmo. Toda em estrutura metálica, de montagem rápida, encapada por breezes, utilizando placas de cimento no piso e rasgos de luz no teto, demonstra simplicidade tanto na montagem, quanto na arquitetura e uso do espaço. Não há nada que o mascare. A opção pelo revestimento em madeira, da Duratex, traz conforto visual e acolhimento. Em uma área de 320m2, a proporção interna se equivale à do deck externo, cada uma com 150m2. Os ambientes integrados sugerem que morar, receber família e amigos e mesmo trabalhar em um mesmo espaço é uma realidade e são ações que podem estar em perfeita harmonia. Estrategicamente, essa casa oferece abrigo para necessários momentos de reclusão e, ao mesmo tempo, se adapta à realidade, que pede conciliação em um lar que proporciona acolhida, morada, onde é possível expandir-se, seja no modo conectado ou off-line. Foi pensada para que as obrigações diárias possam ser cumpridas com facilidade e onde seja possível recarregar a própria energia, tirando o peso diário da sensação de que sobra pouco tempo para o simples existir. É também um projeto que cria novas perspectivas para o verde, mesmo quando ele não é abundante no entorno. Por isso, ele está dentro da casa, de forma naturalista e inspiradora. Assim, o interior é também jardim com cheiro de mato e abriga, inclusive, uma jabuticabeira em local estratégico onde recebe luz solar e até mesmo a água da chuva.

Living Oásis – Bárbara Barbi  

No sentido figurado, a palavra Oásis remete a um ambiente que proporciona prazer em um meio hostil. Em meio a todas as experiências recentes, vividas globalmente, o projeto desse espaço busca oferecer uma sensação de deleite e tranquilidade. Com ampla conexão com o entorno, o living gera espaço para uma pequena copa e área de leitura e, no deck, acrescenta um ingrediente irresistível: uma sauna ecológica, toda feita em vidro, instalada em meio a um cuidadoso paisagismo com plantas altas iluminadas por baixo. A proposta vai além da questão estética, muito bem cuidada, para oferecer uma narrativa que permeia todo o ambiente. Aqui, a história se conta pelo estímulo dos sentidos, equacionando sombras e transparências e misturando ao contemporâneo uma pegada mais rústica. Concebido em estrutura modular, internamente o revestimento é, em parte, em madeirado jequitibá rosa e, no externo, ganhou madeira ecológica, composta 50% da matéria prima e 50% de PVC, que não tem necessidade de manutenção, na cor areia. O piso mescla porcelanato bem clarinho com a madeira que demarca espaço, e o tecnocimento presente no teto está também em algumas paredes. A iluminação pontual cria uma ambiência quase cenográfica, bastante aconchegante e os armários baixos madeirados da copa compõem e se misturam a esse espaço. Peças de cerâmica valorizam o feito à mão, presente também nos tapetes, executados por artesãos do interior mineiro, em corda náutica, juta e sisal. Enaltecendo texturas, tramas e toques, o detalhe da tapeçaria de parede chama o olhar, em camadas coloridas cheias de movimento. O sofá mais baixo utiliza tecido encorpado e dialoga com poltronas em crochê, e uma escultural, assinada por André Ferri, peça de destaque, como a mesa de centro, uma tora de madeira que reforça a imponência das formas orgânicas. Entre o living e o deck, três painéis pivotantes – um muxarabi de madeira tauarí – de Patrick Sizílio e um sistema de vidros que aproxima o entorno, abrem vãos para que a natureza seja convidada de honra na área interna.

Espaço (COM)VIVER – Assis Humberto e Marcus Vinícius – Studio Arquitetônico

O projeto desse espaço foi inspirado na sustentabilidade em diversas situações. A primeira, que chama a atenção imediatamente quando olhamos para ele são as paredes feitas com descartes de obra, na qual foram adicionados, inclusive os descartes de drywall da própria CASACOR Minas. O revestimento foi executado por mulheres dos projetos Arquitetura na Periferia e Bioarquitetar, que coletaram em aterros, terras de diferentes tonalidades. Essas cores terrosas são perceptíveis no padrão de linhas horizontais das paredes com pegada rústica. A estrutura e cobertura é toda em alumínio, material que pode ser reaproveitado e a ideia é de um espaço de convivência, que tenha o aconchego da textura e ao mesmo tempo, venha imbuído com uma reconexão com a hereditariedade das pessoas, trazendo a terra como elemento forte. O espelhado que aparece em um trecho da fachada tem como proposta mimetizar a construção com o verde do entorno. Nela, o minério da Serra do Curral, que está ao fundo foi lembrado na escultura banco de Zanine, peça única na passarela livre, em porcelanato que remete ao chão batido. Os jardins trazem, de um lado, duas jabuticabeiras, referência aos quintais de Minas e, do outro lado, um jardim rochoso com pedras portuguesas e moreas, em desenho minimalista e orgânico. Sem porta de entrada ou saída, a proposta foi criar um espaço fluido, ventilado, incorporando o detalhe das paredes que não encostam no teto. As entradas são afuniladas para oferecer sensação de acolhimento tão logo a área externa seja transposta. Ao fundo, um pergolado com plano cartesiano se abre para a vista.

Espaço Origem Minas – Cynthia Silva e Maakaroun Arquitetura

O simples é mais na loja recheada de cafés e queijos premiados, artesanato e cerâmicas utilitárias do projeto Origem Minas, do Sebrae. Cynthia Silva, Rodrigo Maakaroun e Rodrigo Castro partiram das esquadrias em madeira, ora contemporâneas, ora com referências das fazendas mineiras, para criar um ambiente que convida a entrar pela leveza e equilíbrio. Branco, madeira, luz pontual, sintonia entre dentro e fora, um sofá de linhas orgânicas, na medida. O revestimento externo se repete lá dentro: um reboco rústico bem branquinho. No ambiente com piso em placas cimentícias e teto limpo com forro de gesso, também branco, o balcão em formato de meia lua causa o primeiro impacto ao visitante, que precisa de tempo para percorrer as demais estantes e prateleiras, em mogno africano maciço. O apelo é bastante convidativo: elas foram recheadas por produtos do programa Origem Minas, do Sebrae, e oferecem cafés e queijos premiados, variadas cachaças, geleias premiadas, além de peças de artesanato, almofadas feitas a mão, cerâmicas utilitárias e esculturas da arquiteta e artista Rosana Piló. O deck que rodeia a construção tem, de um lado um pergolado com fechamento em esteiras em fibra natural, fazendo jogo de luz e sombra. Nesse espaço, o confortável sofá para área externa, desenhado pelos arquitetos Rodrigo Castro e Rodrigo Maakaroum, do Ibiá Estúdio de Design, em parceria com a Faruk Móveis, é uma peça orgânica com módulos cambiáveis e encosto móvel que lembra pedras empilhadas.

Escritório da Diretora Criativa – Luoda Arquitetura

A proposta foi a de criar o escritório de uma profissional criativa, lugar que tornasse suas ações dinâmicas e que, ao mesmo tempo, fosse inspirador. Logo na entrada, uma pérgula vertical de madeira, em desenho orgânico, cria jogo de luz e sobra. Moderno, mas sem o apelo de uma pegada mais tecnológica, a ideia foi a de humanizar o interior com a presença da madeira e também permitir sua sintonia com as áreas externas, com o verde e com a luz natural, explorada em diversas situações. A opção foi por uma mesa única, toda em porcelanato que remete à pedra no tom cinza, que serve tanto para reuniões como para o uso individual. O toque mais inusitado fica por conta de uma parede sensorial, que ocupa uma área de 3,3m x 2,6m. O trabalho em couro colorido é assinado pelo designer Rogério Lima, misturando paletas de inverno e de verão, como se o conjunto fosse uma cartela de cores ao alcance das mãos.

Exótico Sustentável – Katiene Rodrigues

Junto ao Loft Sense, de Andrea Medeiros e Cristina Capanema, o paisagismo criado por Katiene Rodrigues Rosa oferece a mesma integração com os sentidos, trabalhando formas e movimentos e usando diferentes tons nas folhagens. São plantas nobres, como a aspidistra, crótons, yuca rostrata, aspargos real, aloé e ainda oliveiras, permitindo volumes e alturas variadas ao jardim. A ideia foi a de fazer com que ele funcionasse de forma sustentável, por isso, algumas das plantas foram escolhidas por necessitarem de menos irrigação. Katiene acha importante falar sobre o assunto, já que a questão hídrica tem se tornado um problema que merece a atenção coletiva. Apesar de ocupar um espaço mais reduzido, esse jardim traz com ele o carinho com que a paisagista costuma trabalhar. Katiene acredita que o afeto teve se estender a várias ações e estar presente também nas plantas de um ambiente.

Módulo 37 – Francisco Morais – Framo Arquitetura

Em cada detalhe, o projeto assinado pelo arquiteto Francisco Morais está alinhado com a contemporaneidade. Construído em Steel Frame, método construtivo industrializado, o ambiente apresenta uma possibilidade de construção a seco, sustentável e muito mais rápida que o convencional, além de estar completamente alinhado com a contemporaneidade.  A flexibilidade e a mobilidade do ambiente também dialogam com o desejo tão atual de de uma vida mais leve e fluida. Construído estrategicamente na medida de um contêiner (3mX7m) o módulo é transportável. Com aproveitamento inteligente do espaço, a multifuncionalidade dos ambientes apresenta soluções práticas, como o sofá do estar se transforma numa cama, criando um dormitório, ou a bancada da cozinha atende aos momentos de refeições e home office. Corando o projeto, um deck de madeira delimita uma aconchegante área de lazer, com direito a lareira e uma chaise extremamente convidativa.

Espelho D’Agua e Mini Pavilhão – Cristina Menezes

Uma criativa releitura da configuração das casas romanas das antiguidades transportada para módulos independentes do tipo contêiners, em brincadeira geométrica que os une por uma pérgula central. Cozinha, living, escritório e banheiro, e quarto são rodeados por um espelho d’água e têm fechamentos der breezes e toldos que descem até o chão. O layout interno é tão flexível quanto a proposta arquitetônica e os detalhes fazem toda a diferença. A impressão é de que o conjunto flutua como se fosse uma ilha. O espelho d’água, que além de permitir conforto térmico e amplitude ao projeto, reflete não só os volumes de sua composição, como a natureza do entorno. Com móveis soltos – até mesmo a bancada – eles permitem variadas configurações. A maior parte é em madeira e utiliza tecidos apropriados para áreas externas. Na paleta de cores, tons naturais como o cinza, areia, branco e madeira. A cor é pontuada em detalhes mínimos, tudo pensado para oferecer a sensação de relaxamento, como se o morar fosse a céu aberto. Se a personalidade está na simplicidade da organização espacial, feita de forma criativa, está também nas peças garimpadas pela arquiteta em diversas regiões brasileiras, que misturam design ao artesanato genuíno com perfeição. Dando mais expressão aos espaços, a poltrona do piauiense Junior Brandão, que explora as transparências, o inusitado cabideiro da paulistana Juliana Llussá, o banco da gaúcha Inês Schertel e as peças da marca mineira Alva Design, além das mesas em pedra sabão brutas, assinadas pela própria arquiteta. Os ambientes são claros, iluminados, mas em cada um, uma peça preta se destaca. Para relembrar a proposta ligada aos hábitos romanos na antiguidade, no living, a arte pintada diretamente nas paredes substitui os quadros dependurados. Detalhes que fazem toda a diferença em uma proposta corajosa e inovadora.

Loft Sense – Andrea Medeiros e Cristina Capanema

Desacelerar e se reconectar com o essencial. Inspirado em linhas orgânicas, na leveza e na simplicidade, esse loft utiliza o espaço interno, guiando nosso olhar para os detalhes, permitindo vazios e cheios na medida da fluidez. Ela acontece desde a entrada, onde um recorte simétrico mistura o dentro e o fora, e é permitida também pela marcenaria em L, que abriga uma ampla bancada que, ao virar, atende à uma expressiva adega revestida em quartzito e ainda oferece privacidade à cama.  É também um recorte retangular que substitui janelas tanto na parede logo atrás da cama, e, em proporção maior, acima da bancada, na parte destinada à cozinha. Nos dois casos, utilizando a transparência do vidro, a proposta é de total integração dos ambientes com a paisagem. O extenso breeze na lateral da entrada tem esse mesmo objetivo e contempla living e parte da área do quarto. A linguagem minimalista traz o mesmo revestimento para piso e paredes, tanto na parte externa como interna e acrescenta ao teto, o ripado de madeira clara. Tramas naturais, tapetes feito à mão, o conforto das poltronas que acompanham a mesa redonda e peças de design assinado por André Ferri compõem esse cenário equilibrado e harmonioso. O banheiro aberto, na parte de fora do loft, tem teto de vidro, breezes e uma relaxante banheira, permitindo uma sensação de estar ao ar livre.

Suíte Líder – João Daniel Arquitetura

Uma arquitetura que valoriza as pedras preciosas e o garimpo, as riquezas naturais regionais e o ofício do casal que serviu de inspiração para esse projeto. Nela, tecnologia e acolhimento são a tônica de um ambiente contemporâneo, oferecendo conforto e dinamismo ao cotidiano dos usuários dessa suíte master. A tecnologia está no contexto da segurança, lazer, diversão e conexão com o mundo; e o acolhimento se dá pelo atendimento às necessidades e hábitos dos moradores, na possibilidade que o espaço oferece para o exercício do olhar para dentro e também para a renovação. A paleta de cores neutras e esfumaçadas, esmaecidas e terrosas, remetem ao solo, à terra de onde vem as riquezas naturais. Os materiais e tecidos também remetem às riquezas, ao minério, ao ouro e, principalmente, às pedras naturais, seixos rolados, numa apropriação desses elementos dentro do arquitetar e do residir. A suíte contempla uma cama generosa e convidativa que, junto ao home-office compõem a ilha do ambiente. O espaço também possui um estar íntimo, apoiado por uma mesa para café da manhã, um closet moderno que mais parece uma vitrine e, claro, uma bela sala de banho com uma banheira de imersão como protagonista.  Destaque também para uma varanda que se integra ao espaço. Essa suíte poderia ser um anexo no campo ou na montanha, refúgio tão desejado nesse tempo pandêmico e incerto. Oferecendo multifuncionalidade e traduzindo a personalidade dos usuários.

Cabana Soluções Usiminas – Lucas Pereira Belizario e Barbara Fonseca de Souza – Liga Arquitetura

Uma casa de montagem rápida inspirada no design escandinavo, que também inspira o modelo de negócio na facilidade de sua execução. Tanto a compra, feita pela internet, como a agilidade com que ela é erguida ditam todo o processo. Com peças que pesam no máximo 60 kg cada, e por isso necessitam da mão de obra de duas pessoas para carrega-las cada uma até o terreno em que será instalada, ela foi pensada para ser toda parafusada. Fica pronta em 20 dias e, apesar de poder ser levada de um lugar para outro, é uma construção vitalícia: para durar uma vida inteira. Compacta, feita em estrutura metálica e still frame e vidro, ela tem dois andares. No térreo fica o estar, com duas poltronas em couro e mesinha de centro, e o apoio de uma cozinha, planejada com o básico: cooktop, cuba, frigobar e armários. Resumindo toda a parte hidráulica no mesmo lugar, a cozinha esconde um banheiro integrado à área externa, que fica na parte oposta. Pequeno, charmoso e funcional, conta com dois chuveiros de teto, um jardim em uma das laterais e, do outro lado, um espelho redondo que proporciona a sensação de que o espaço é maior. Acima dele, no mezanino, o quarto com duas janelas em abertura máximo-ar tem como charme, a vista do entorno, que pode ser apreciada da cama baixa. Tanto a base dela, como de toda a parte interna da casa é revestida em pinus, em contraste com a pintura preta na placa cimentícia do piso e no painel wall no teto. Na área externa, o conforto de quatro poltronas em aço e três banquinhos, além da lareira também em aço completam a cena. Simplicidade no uso de materiais, praticidade no conceito e uma arquitetura que dá a leitura contemporânea a uma casa em estilo cabana.

Casa Voktum – Barbara Nobre  

A Casa Voktum é um espaço inteiramente construído especialmente para a CASACOR Minas. O projeto privilegia a integração permanente com as áreas internas e externas, que estabelecem um diálogo permanente. Para isso, além dos ambientes integrados, ela utiliza da transparência do vidro, tanto no teto quanto nas paredes externas. Logo na entrada, a mesa de jantar Pin, um ícone da Voktum, tem personalidade única. Toda em madeira, ela tem estrutura inspirada nos corredores de castelos góticos. Valorizando o trabalho de marcenaria, ela é acompanhada das cadeiras MAT, que seguem a linha do biodesign, com formas orgânicas que remetem à natureza. O espaço também foi aproveitado como uma mini-galeria de arte, apresentando sete telas vibrantes da série Anjos, de José Roberto Aguilar, em acrílica e esmalte sobre fundo branco. Na sequência do jantar, um living traz a elegância discreta do sofá Connect. Em módulos, o nome não poderia ser mais apropriado, já que suas partes podem ser alteradas, adequando-se a diferentes ocasiões. A arquiteta é autora do desenho orgânico do tapete que integra o living. Ao fundo do espaço, Bárbara projetou uma mini-cozinha, que antecipa a suíte, com bancada que reproduz o cimento com leves nuances. No quarto, seguindo a proposta da sintonia com a natureza, a cama Aiby, em madeira maciça, tem cabeceira em palhinha e pés projetados para dar a impressão de que a cama está flutuando. Já no banheiro, o destaque fica por conta da cuba branca L.300, desenho de Jader Almeida para a Deca, que se destaca pelo visual leve, com laterais planas e torneira que explora o arquétipo do caminho da água até uma bica, na qual o fluxo é manipulado intuitivamente por uma alavanca. Mesmo com a sensação de que a natureza está dentro de casa, a arquiteta ainda projetou um deck ao ar livre que materializa esse encontro. Nele, além da madeira peroba, fornecida pela Madeiraria, destacam-se os móveis da Voktum, além do pendente assinado pela mineira Simone Oliveira, desenvolvido exclusivamente para a Templuz. Acompanhando todos os ambientes, o belo paisagismo assinado por Valter Braga, com destaque para o jardim de orquídeas.

Jardim das Orquídeas – Valter Braga

Uma orquídea em um ambiente impressiona logo de cara. Imagina centenas delas, em um jardim deslumbrante, que pode ser admirado tanto do estar, quanto da suíte? Foi isso o que norteou o trabalho do paisagista Valter Braga para o projeto da Casa Voktum, ambiente da arquiteta Barbara Nobre. O conjunto formado por 380 orquídeas dão um ar de nobreza e se alia ao frescor de um jardim vertical como pano de fundo, com samambaias, peperoneas e renda portuguesa. Para emoldurar a floresta de flores faceando a casa, Valter Braga utilizou o filodentro e o Imbé como uma margem que o distingue ainda mais.

Bel Lar Casa com Arte – Patricia Hermanny

Cenográfico, como uma caixa, com piso, revestimento e teto no tom aço cortem, valoriza as esculturas de Israel Kislansky em seu potencial máximo. A proposta de Patrícia Hermanny é a de valorizar as esculturas do artista em seu máximo potencial, estabelecendo uma conexão muito forte, despertando no público uma reflexão sobre a relação da arte com a arquitetura e o design. Além das obras, o fundo desse cubo ganha luz com fotos que mostram o artista em processo de criação, todas emolduradas em madeira clara. Humanizando o espaço, a arquiteta utiliza bases em tronco de madeira maciça para as obras de menor porte, para que sejam apresentadas na altura do olhar do visitante. E ainda se vale de uma mesa original assinada por Jorge Zalszupin, da coleção Branco e Preto, em jacarandá e de grandes dimensões, para as peças menores. Uma escolha que relaciona sofisticação, cultura e conhecimento. O espaço conta ainda com um pátio ao ar livre que prossegue com o mesmo piso interno e é emoldurado com visadas para a beleza da Serra do Curral. Nela, uma frondosa árvore nativa se oferece como suporte para a iluminação das esculturas que se encontram nesse espaço. Com essa ação, a Bel Lar prossegue palmilhando o sentimento que reforça a importância da arte no morar, no viver e no compartilhar e reafirma seu patamar de excelência

Banheiros do Palácio – Filipe Geraldes, Fernanda Guerra, Gabriela de Oliveira e Henrique Rangel

Após o concurso “Ibmec-se na CASACOR”, a equipe composta por Filipe Geraldes, Fernanda Guerra, Gabriela de Oliveira e Henrique Rangel foi chamada, a convite da CASACOR, para elaborar e executar na última semana de montagem do evento uma nova intervenção nos banheiros da área externa. Sob a supervisão do arquiteto e urbanista André Prado, a nova intervenção conta com o uso de cores vivas e manchas. A instalação adesivada dialoga com o painel pré-existente feito pelo artista Alexandre Mancini e foi realizada de forma espontânea e ousada em conjunto a estética industrial reforçada pelo grupo, a fim de elaborar um ambiente jovial e contemporâneo.

Design para os sentidos – Templuz – José Lourenço

Não é uma sala, um quarto ou qualquer outro cômodo da casa. É uma estrutura metálica em forma de um cubo. Uma das mais simples formas da arquitetura dar significado a um abrigo humano, uma casa. Feito externamente em quase em sua totalidade de vidros refletentes, ele simula a beleza externa: a arquitetura do Palácio e a natureza moldada por um paisagismo vigoroso. Ao mesmo tempo lembra que uma casa deve refletir um pouco de quem vive ali. Afinal, a arquitetura trabalha com isso. Mas não é uma casa, é um cubo cujo espelhado dos vidros que cobrem sua estrutura também suscita a curiosidade. É da natureza do ser humano essa curiosidade, daquilo que está por vir. Claro que não dá para desprezar o aspecto de que fazer uma foto nesse lugar é uma oportunidade de belos enquadramentos. Sim, ela é real, mas o cubo é bem mais que isso. A estrutura de 3 metros cúbicos reserva surpresas, que mexem com os sentidos para quem escolhe percorrer seu interior. Da entrada ao momento em que essa experiência fica para trás, acontece algo, como se o cubo nos falasse intimamente. E ele fala! Seja qual for o sentido mais aguçado. Audição, visão, olfato, tato, seja qual for o sentido mais aguçado, ele remete cada visitante a lembranças, sentimentos, desejos e perspectivas. Uma experiência única, por isso o nome, Design para os sentidos – Templuz.

Pop-up store “A Casa Original” –  Conceito Digital – Roger Lages

Uma pop-up store que carrega o tema da mostra. Do lado de fora, uma pequena varanda coberta já apresenta na fachada o elemento principal, presente nos produtos que foram desenhados e estão à venda no espaço, feitos em Router CNC. Em linhas básicas, Router, do inglês, significa Tupia, uma das principais ferramentas empregadas na marcenaria de alto padrão, utilizada para furar, rebaixar, frisar ou recortar materiais. Router CNC são ferramentas simples e eficientes de corte computadorizado. Partindo dessa inspiração, a fachada tem testeira que parece uma nuvem, ou um ninho, feito em ripas de madeira. Passa a ideia de algo fragmentado, orgânico, mas que ainda está se materializando. Dentro, na primeira sala a madeira mais uma vez é protagonista, em tom cru, presente em  painéis com padronagens recortadas, que fazem uma referência à técnica artesanal japonesa Kumiko. Silenciosa e reflexiva, essa técnica milenar da marcenaria japonesa cria padrões a partir de pequenas peças e encaixes de madeira. Nessa sala, o piso é de ladrilho de tijolo e no teto, o tecido branco tencionado tem forma orgânica, partindo daí a iluminação. O conjunto confere uma sintonia com os produtos expostos, assinados por designers e arquitetos. Na saleta seguinte, a opção é uma cena mais dramática, utilizando papel de parede escuro, assumindo a textura de papel. Nela são apresentadas uma seleção de peças de design assinado, a maioria em mogno africano. A iluminação utiliza tecido branco tencionado, também em forma orgânica, uma repetição do primeiro espaço, em nova situação, agora, na parede.

Jardim da Piscina – Felipe Fontes

Um jardim com conceito naturalista e uma atmosfera moderna, elegante e selvagem. Plantas e espécies de diversos tamanhos compõem uma estética rica em biodiversidade e interações. Ele foi organizado em um conjunto que expressa características diferentes ao longo das quatro estações, assim como ocorre na natureza em áreas de campos naturais e mata nativa. Arbustos, capins, ervas e flores têm a oportunidade de mostrar suas texturas e aromas distintos. Um espaço que gera valor para todo o contexto através do contraste com as construções ao redor. Esse projeto valoriza as plantas nativas e as formações e composições naturais. Um jardim contemporâneo, de baixa manutenção e que respeita o habitat natural, com o resgate da estética do bioma original. Destaque para a presença dos capins (Cortaderia selloana) e da Íris amarela (Sisyrinchium palmifolium).

Bar Benericks  – Daniel Tavares e Cynthia Vianna

Vermelho, porque é a cor da vida, da coragem, da paixão e da energia. Vermelho, porque é a cor do Negroni, icônica bebida centenária, criada em Florença na Itália. Nesse ambiente, um bar à beira da generosa piscina de formas orgânicas, o vermelho é vibrante. Lembra um bar de hotel e oferece doses de glamour, alegria e uma pitada de luxo em um espaço agradável e surpreendente. A cor predomina nos drinks, nos ombrelones dispostos ao redor da água e em parte do mobiliário, como poltronas e sofás. A cena despojada e chic começa na estrutura onde fica o serviço e balcão. Com pegada sustentável, aproveita a mesma cobertura orgânica criada pelo arquiteto Lucas Lage para a CASACOR Minas 2019. Se Chanel já disse: “Sou contra a moda que é passageira, pois não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora só porque é primavera”, nada mais adequado que transpor essa proposta também para a arquitetura. No Benericks, o novo layout dispõe o balcão em um canto da base quadrada desse deck. Linear, de 9,5m de comprimento, ele é em porcelanato em grandes formatos bem clarinho e tem, em sua base, tecido tecnológico que oferece uma luz difusa e calma que ilumina o espaço, deixando a luz focada somente nas bebidas.  Ainda na parte interna, um amplo sofá na cor cáqui com mesinhas vermelhas ao longo de sua extensão e confortáveis poltronas criam o ambiente de espera. O conforto se estende no entorno da piscina, com vários lounges e situações: sofás, mesas que viram bancos, em cubos maciços de quartzito azul, poltronas em aço inox fininho e pufes. Como nos ombrelones, o vermelho é pontuado pelo espaço e está ainda na projeção mapeada na piscina, com imagens de espécies marinhas como peixes, lulas e polvos que inspiram o clima praiano. Detalhe para a série de esculturas em aço, do artista Leopoldo Martins, intitulada Insetos

Office Lafaete – Ø Arquitetos – Felipe Pederneiras e Katarina Grillo Polatscheck

Um escritório no meio do jardim, com a função de receber clientes e realizar reuniões. Ele foi concebido em um módulo sem paredes, com fechamento em vidro e portas de correr que permitem contato instantâneo com o entorno. O espaço abriga dois ambientes: o primeiro é uma pequena recepção com cadeiras em madeira, couro e metal e bancos em couro e metal e o segundo é um ponto de trabalho e também para reuniões mais formais. Nele, a mesa tem base em metal preto e tampo em madeira e cadeira com toda a ergonomia necessária, mas com design mais sofisticado. Dividindo os dois espaços, uma estante limpa, com prateleiras altas que não bloqueiam a vista, de onde dá pra ver o pôr do sol e uma estante baixa, ambas em madeira. Entre os livros, cubos de madeira com desenhos de Vitor Mizael, jovem artista paulista que busca inspiração na ilustração científica, mas com um transvio, criando seres de seu imaginário. Destaque para a solução de uma cortina acústica situada entre as estantes que, quando fechada, preserva totalmente a área de reuniões. A iluminação com luzes neutras favorece o trabalho e está em spots e pendentes, um deles assinado por André Ferri, em madeira e metal. Na parte interna, o que quebra a proposta de neutralidade é o colorido intenso das telas do artista Luiz Áquila, uma forma de estimular o pensamento criativo e o piso, em tijolinho cerâmico. Já a área externa tem deck em madeira com degraus para promover o encontro e criar uma transferência mais fluida entre os ambientes. Nela, bancos de concreto Demetra contam com iluminação e carregamento usb integrados e outros bancos Stone, instigam usos diferentes com sua forma irregular.

Restaurante Outland “Al Mare” – Antônio Valladares, Joana Hardy e Tereza do Prado – Casa Tereze

O projeto do restaurante Outland, traz narrativas que vem de longe, ou de longa data para compor um cenário imortal enquanto durar a mostra. Alegre, muito charmoso e colorido, ele foi pensado como um espaço de celebração e encontros, tão necessários, mesmo quando os abraços estão fora de uso, por causa da pandemia. Os profissionais criaram as cerâmicas, executadas pelo Ateliê da Vila, tanto as utilitárias, como as luminárias. Cada mesa tem uma, pendente, criando um clima intimista e, no balcão, de 12m de comprimento, elas foram alinhadas como uma chuva alegre e de várias cores. Por falar em balcão, ele tem tampo de mármore creta<

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